”Para um bom entendedor, meia palavra basta.” Para um bom amigo, um olhar já é suficiente.
(Source: sinceridadesdeumidiota)
“Quando toca uma música bonita, minha ironia assovia mais alto. Um assovio sem melodia. Um assovio mecânico mas cuidadoso, como tomar banho ou colocar meias. Outro dia tentei chorar. Outro dia tentei abraçar meu travesseiro. Não acontece nada. Eu não consigo sofrer porque sofrer seria menos do que isso que sinto.
“Sempre fui um pouco áspero, fechado, sempre tive dificuldade de receber amor. (…) Na verdade, eu sempre precisei de afeto, só que antes eu não admitia.
“Não gosto de você. Não gosto de você. Porque se eu gostar de você, eu sei que você vai embora. E eu simplesmente não agüento mais ninguém indo embora.
“E agora, o que eu vou fazer? Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus? E as lágrimas não secaram com o sol que fez? E agora como posso te esquecer? Se o teu cheiro ainda está no travesseiro? E o teu cabelo está enrolado no meu peito. Espero que o tempo passe. Espero que a semana acabe. Pra que eu possa te ver de novo. Espero que o tempo voe, para que você retorne, pra que eu possa te abraçar. E te beijar, de novo. E agora, como eu passo sem te ver? Se o seu nome está gravado no meu braço como um selo? Nossos nomes que tem o “N” como um elo. E agora como posso te perder? Se o teu corpo ainda guarda o meu prazer? E o meu corpo está moldado com o teu?
“Não é tristeza não, cara. As vezes você passa o dia todo fora de casa, se diverte, bebe, ri com os amigos… Mas quando volta, não se lembra de quase nada do que aconteceu. Você fica triste, e do nada lhe vem os pensamentos ruins. Eu sou assim. E não gosto de ser assim. Eu não gosto de me sentir triste. Não gosto de me sentir insuficiente pra ninguém. Mas as vezes me preenche inteira, um vazio desnecessário. Não sei descrever. Aí eu não consigo dormir, e fico chorando no quarto entre o silêncio da madrugada. Acho que isso é porque, já sofri demais, e não importa à quantas festas eu vá, quantos amigos eu tenha, e quantas vezes eu ame, sempre terei esse buraco no meu peito, esse buraco negro que não se descreve. Um pequena coisa, uma mínima coisa, uma coisa insignificante acontece, uma coisa que só você vê acontece, e logo cê fica triste. Isso não é bom, não gosto de me sentir assim. Tem sido assim à uns meses já. Eu não sei, nem nunca ouvi falar sobre isso, mas acho, só acho, que isso é excesso de sofrimento.
“Não consigo aceitar nenhum tipo de amor porque nenhum tipo de amor me parece do tamanho do buraco que eu me tornei. Se alguém me abraçar ou me der as mãos, vai cair solitário do outro lado de mim.
“De uns dias para cá um velho amigo meu resolveu dar sinal de vida. Eu e ele éramos inseparáveis, feito unha e carne, feito Mário e Luigi. Eu parei por um segundo e me perguntei por qual motivo tínhamos nos distanciado. Eu quase havia me esquecido que ele existia. Quase. Me lembrei então da ferida que ele me causou anos atrás. Por termos sido tão inseparáveis, quando ele me deixou, senti que uma parte de mim (na verdade grande parte de mim) tivesse ido junto. Demorei tanto para me auto regenerar, tive que aprender a parar de cutucar na ferida para ela parar de doer e em vários momentos tive que fingir que tudo estava bem quando na verdade nada estava. Então olhei para ele e sorri. Sorri porque apesar dele ter me causado uma imensa dor no peito e várias lágrimas nos olhos, ele também me deixou a força. A força de aprender a viver a mim mesma e a me amar antes de querer amar qualquer outra pessoa. Talvez as pessoas, todas elas, precisem apenas de um pouco de solidão para perceberem que a única pessoa que realmente pode nos salvar dessa vida miserável, somos nós mesmos. Aprendi que nasci completa e que os que vêm para fazer parte da minha história são apenas consequências dos meus próprios atos.